Talentos em Crescimento

Talentos em crescimento – Ação de capacitação social de combate ao bullying e exclusão social através da música criativa no âmbito do programa Parcerias para a Inovação Social. É uma operação de inovação social disruptiva de capacitação de combate ao bullying, à violência, à exclusão escolar e social, através da música criativa e edição fonográfica. Os destinatários são crianças e jovens dos 9 aos 17 anos de idade, sinalizadas como vítimas de bullying, vítimas de violência doméstica, em risco escolar ou social. A ação é uma Parceria para a Inovação Social LISBOA2030, cofinanciada pelo Fundo Social Europeu e Portugal Inovação Social, tendo como investidores sociais a Câmara Municipal de Sintra e a Fundação “la Caixa” BPI. Decorre de 06 de Janeiro 2025 a 30 de Junho de 2026.

Tem como objetivo a implementação de estratégias disruptivas de combate ao bullying e capacitação de jovens em risco, vítimas de bullying, de ambientes desfavorecidos e em risco escolar. Os destinatários frequentam ações educacionais com vista ao lançamento de um CD por semestre, com obras da autoria dos próprios. É uma ação disruptiva de capacitação social e educacional, com foco em desenvolvimento e criação de obras musicais. Implementa-se a intervenção direta junto dos destinatários, por via da estimulação à Autovalorização por via da ativação artística, através da criação musical, mais especificamente nas atividades de composição, songwriting, produção e lançamento de produtos fonográficos. A ação foca aprendizagens nos campos de hard-skills e soft-skills relacionadas com criação e a edição discográfica, de forma a aumentar o sentido de validação pessoal e social, fomentando o sentido de bem-estar nos destinatários. Os destinatários da ação são 105 crianças e jovens, com idades compreendidas entre os 9 anos de idade e os 17 anos de idade, nas situações sociais acima indicadas.
O sentido de validação dos destinatários será potenciado pela atividade de criação de música e através da inserção em projetos musicais criativos de curto e médio prazo com elevada componente criativa e educacional. A ação implementa a prática regular semanal de atividades letivas no Conservatório EMMA – Escola de Música de Monte Abraão. A duração da ação é de 3 ciclos semestrais, num total de 18 meses de implementação. Os 105 destinatários, 35 por turno, têm semanalmente sessões educacionais práticas e teóricas, coadjuvadas com acompanhamento psicológico adequado e formação em táticas sociais.
Os destinatários vão ter acesso gratuito às seguintes atividades e sessões educacionais:
Songwriting, Canto, Instrumento (Piano, Guitarra), Teoria musical, Composição, Produção musical, Industria Musical, Competências sociais e psicológicas.
Candidatura de destinatário:
Bullying enquanto problema social
O bullying está definido como o comportamento agressivo envolvendo ações repetitivas para causar desconforto ou dano, e onde existe um desequilíbrio de forças entre o perpetuador e a vítima (Gredler, 2003; Olweus, 2003). Globalmente, pouco mais de 1 em cada 3 alunos entre os 13 e os 15 anos sofre bullying, e uma proporção sensivelmente igual está envolvida em confrontos físicos. 3 em cada 10 alunos em 39 países na Europa e América do Norte admitem ter praticado bullying contra pares seus (UNICEF, 2018).
«46% dos jovens portugueses (13 e os 15 anos) afirmam ter sofrido ou ter estado envolvidos em situações de bullying no ano anterior» (UNICEF, 2018)
Não é novidade que a música é usada nas campanhas de combate ao bullying, pois muitas das campanhas inclui ou baseia-se em participação de artistas conhecidos que cantam canções com mensagens fortes relacionadas com o combate ao bullying. Todavia esta ação não se limita a colocar a mensagem na voz de um artista, esta ação pretende dar voz artística a quem sofre bullying: dar uma voz forte a quem a não tinha. A música, por si só, como uma das formas de arte mais apreciadas e democratizadas, é uma forma de empoderamento. De facto a atividade musical não contribui apenas para o bem estar de quem a ouve mas também para quem a desenvolve (Kalandyk-Gallagher, 2020).
“A educação é a chave para a construção de sociedades pacíficas e, não obstante, para milhões de crianças em todo o mundo, a escola não é um lugar seguro” Henrietta H. Forre, Diretora Executiva da UNICEF (UNICEF, 2018, col. 2).
A abordagem metodológica desta ação reflete sobre os anais de evento da 34.ª Conferência Mundial da Educação Musical realizada em 2020, pela Sociedade Internacional para a Educação Musical com o apoio da UNIARTES, da Fundação NAMM e da Sociedade para Educação e Investigação em Psicologia da Música, com foco no trabalho de Jolanta Kalandyk-Gallagher que se debruça sobre «O bullying nas escolas e o papel da música na criação de mudança positiva» (2020).
A participação em projetos criativos relacionados com a performance musical, maximiza a automotivação dos participantes. Maximiza a autoestima, a independência, a capacidade funcional, a capacidade intelectual, a capacidade emocional (Kalandyk-Gallagher, 2020). A atividade artística com obra feita, atuações, gravações, muda de facto as perceções dos pares e dos próprios intervenientes, tendo impacto social disruptivo, imediato e significativo.
De acordo com Susan Hallam (2010, p. 279) a atividade de performance de música em grupo contribui para o «aumento da autoconfiança, das capacidades sociais e do sentimento de pertença». Para Hanrahan et al (2019) os benefícios incluem aumento da capacidade de comunicação, sentido de pertença numa experiência partilhada que transcende a linguagem e fronteiras culturais, sentido critico musical, capacidade de autocorreção, aumento de autoconfiança, e mesmo o empoderamento. Adicionalmente, as ferramentas pessoais e de trabalho obtidas através das atividades relacionadas com a prática musical são transferíveis para outros domínios e outros contextos (Temmerman, 2005), nomeadamente o sentido de pertença e aceitação social (Goodenow, 1993). A música tem sido utilizada como ferramenta de tratamento e de combate a estados psicológicos negativos mesmo nos cenários mais extremos como os traumas de guerra, depressão e exclusão social (Gaynor, 1999). Outros estudos revelam que a atividade musical, seja a tocar um instrumento ou em canto, é muito benéfico para indivíduos em situações de risco e em contextos extremos tais como sem abrigo, populações em estabelecimentos pressionais, vítimas de abusos e outros casos extremos (Bailey & Davidson, 2003; Cohen, 2011; Dingle et al., 2013).
A atividade de musicking (Small, 1998), i.e. compor, escrever, produzir e execução de música, promove o sentido colaborativo, unindo pessoas (Bakagiannis & Tarrant, 2006), promovendo coesão de grupo e aceitação social (Kalandyk-Gallagher, 2020), promovendo a confiança e respeito inter pares. Alguns estudos realizados que indicam uma relação direta entre musicking e minimização dos efeitos de bullying:
a) Barret e Baker (2012) estudaram os comportamentos de 22 alunos utentes de um centro de reclusão, entre os 14 e os 18 anos, que receberam aulas de guitarra, baixo e bateria, durante 10 meses e em que no términos da ação demonstravam acréscimo significativo de competências sociais, emocionais e cognitivas.
b) Crawford (2017), num programa desenvolvido por especialistas envolvendo canto e percussão aplicado a destinatários refugiados, obteve resultados positivos no sentimento de pertença e integração.
c) Zapata e Hargraves (2018), durante um programa de educação musical de 18 semanas, registaram avanços muito positivos e concretos na autoestima, resiliência e bem-estar de crianças afetadas por conflitos de carteis em Bogotá, Colômbia.
d) Eerola e Eerola (2014) testaram a hipótese da educação musical estendida por uma carga horária semanal significativa, contribuir para os benefícios sociais em 10 escolas Finlandesas, comparando com grupos de controlo em escolas onde apenas se ministrava o programa regular. A amostra consistiu em 735 alunos dos 9 aos 12 anos de idade. Entre outras questões, os inquéritos abordavam o tema do bullying, tendo revelado que os membros do grupo tinham registado um aumento da perceção de contentamento com a escola e o ambiente escolar.
e) Ziv e Dolev (2013) realizaram um estudo piloto para 56 crianças que se focavam em música diariamente, ainda que apenas por um período curto, em que os resultados mostraram uma diminuição significativa dos incidentes de bullying.
f) O estudo de Rawlings (2017) indica que os alunos incluídos em ensambles musicais evidenciam menos tendência para comportamentos agressivos do que integrados em ensambles ou em grupos de atividades não-musicais.
g) Thompson e Smith (2011) indicam que as aprendizagens criativas são mais eficazes no combate ao bullying e que o corpo docente especializado é essencial para o sucesso das ações. Adicionalmente, este estudo indica que o trabalho de equipe e trabalho de desenvolvimento de pensamento critico é fundamental.
h) Perren et al. (2012) afirmam que encontram na performance de música e realização de conteúdos audiovisuais uma estratégia muito eficaz de combate ao bullying.
i) O estudo de Cohn et al.(2009) sugere que nas atividades criativas se regista uma transformação na resiliência e esta promove o sentimento de felicidade, e que esse se constrói através de mecanismos de obtenção de resultados palpáveis no quotidiano.
Na ação TALENTOS EM CRESCIMENTO aliamos ao princípio da educação cultural oportuna aos benefícios sua prática da música criativa, visto que a música é a forma de arte com que as pessoas mais interagem (Burkholder et al., 2019) , de uma forma geral, focados na atividade dos destinatários em promover atividade criativa em música (composição) e texto (letras de canção), ou seja songwriting colaborativo com recurso a meios de produção digitais, sob o acrónimo DAW (Bennett, 2018). Os destinatários vão criar música ao estilo que escolhem com base nos seus próprios critérios de gostos para que possam definir o seu próprio identificador social (Lonsdale & North, 2009), sobre orientação cuidada dos docentes, em ambiente controlado, participativo e colaborativo. Desta forma, estimula-se o destinatário a desenvolver ele próprio agência criativa, potenciando os contextos de estimulação por forma a atingir objetivos concretos e mensuráveis, quer pelas atividades de songwriting, composição, manipulação supervisionada de instrumentos musicais e meios de produção musical, quer pelas ações práticas de ensino e acompanhamento de life-coaching, coroando o final do semestre com o lançamento do CD. Dessa forma pretende-se potenciar a autoestima pela a paixão pela música e pela perceção social da sua valorização, quer pela ativação criativa quer pela construção de sistemas de apoio mútuo e apadrinhamento (Thompson & Smith, 2011) entre os destinatários, sistemas esses que são transportados posteriormente para o quotidiano. Desta forma criam-se benefícios significativos a curto e médio prazo.
Se é um artista, músico, compositor, produtor, jornalista, estúdio, marca de equipamentos ou instrumentos, empresa, Fundação, IPSS, Estabelecimento de Ensino, meio de comunicação social e quer saber como pode ajudar a PIS Talentos em crescimento, contacte por email.



